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City Break – Moustiers-Sainte-Marie

Miragem à porta das Gorges du Verdon 

PMMEDIA Pub.

Esculpida nos penhascos rochosos, Moustiers-Sainte-Marie ergue-se como uma miragem. Quase camuflada. Visto ao longe, o vilarejo evoca o presépio da Natividade, confinado entre duas escarpas de cor mediterrânica. Mais ainda porque do alto da aldeia, pendurada por longas correntes, logo acima da capela de Notre-Dame-du-Beauvoir, brilha uma estrela, que deu origem a algumas lendas. Uma delas é da autoria do poeta francês, Prémio Nobel de Literatura, Frédéric Mistral. Do dourado luzio disse ser um ex-voto dedicado à Virgem Maria, instalado a pedido do cavaleiro Blacas, um cruzado feito prisioneiro pelos sarracenos em 1210, que terá prometido: se escapasse à morte e voltasse vivo à sua aldeia, penduraria uma estrela numa corrente em homenagem à Virgem. As outras histórias evocam os reis magos, casos de amor, mas nenhuma explicação foi autentificada, prevalecendo o mistério. Até ao momento, onze estrelas foram penduradas naquele local, uma após a queda da outra. E assim, o astro vigia Moustiers, e Moustiers vigia o Lago Sainte-Croix, de um azul difícil de explicar, que é a porta de entrada dos hipnotizantes desfiladeiros das Gorges du Verdon, um dos canyons mais profundos da Europa.
Moustiers está na lista das mais belas e pitorescas aldeias da Provença francesa. Conhecida pela fabricação de faiança, toda ela emana um maravilhoso odor a lavanda, que invade as narinas e serena o coração. A ocupação da região remonta há 30 mil anos, sendo que o atual vilarejo teve início no século V, quando os monges de Lérins se instalaram nas grutas, criando ali o seu monastério, ou moustier, como era dito na Idade Média.
Ao caminhar pelas suas bonitas e estreitas ruas, vemos várias lojinhas provençais vendendo faiança, mas também azeite, azeitonas e lavanda, cultivada na região, e os seus derivados, como os tradicionais sabonetes e demais cosmética. Além disso, Moustiers oferece aos visitantes todo o charme da Provença, com as suas casinhas em cores ocre e janelas enfeitadas com flores. Entre elas, não faltam pequenos restaurantes onde se podem descobrir as iguarias regionais: trufas, azeite de oliva, tapenade, mel de lavanda, legumes regionais, biscoitos, queijos de cabra e charcuteries (carnes salgadas). Não faltam também gelados de lavanda, se precisar de se refrescar numa das muitas sombrinhas. A subida que leva ao seu ponto mais alto, a capela de Notre-Dame-de-Beauvoir, e que já foi um importante centro de peregrinação, exige pernas. Mas, lá do alto, a vista é de louvar aos céus. 

Filomena Abreu
T. Filomena Abreu
F. Philippe Murtas